rio de janeiro, 24 de junho de 2012
Prezado Kremlin,
Venho por meio desta manifestar meu interesse em comprar a múmia do Vladimir.
Soube por amigos em comum que vocês querem vendê-lo. É caro manter o velho líder preservado, eu imagino. Me disseram que o Fidel Castro quis comprá-lo. Não vendam, por dois motivos: o Fidel está velho, ele mesmo virou uma múmia. Há o risco de confundirem os dois e botarem o russo para discursar. E Cuba não deve ter ar condicionado. O clima lá, convenhamos, não é favorável ao Vladimir.
Aqui em casa tem um quarto vazio. É climatizado e grande o suficiente para abrigar o homem e celebrar a Mãe Rússia.
Tenho vários planos já. Vou organizar sessões de O Encouraçado Potenkim com caipivodka (a cachaça está proibida). Em certa altura da noite, vou anunciar às visitas: “Vamos ver o Vladimir.” As mulheres vão dar gritinhos, pedir todo poder aos soviets, cantar o hino da Internacional. Tenho amigas que não podem ver um socialista - se for alto e tiver barba, pior ainda. Ter Lênin na sua casa, tomar cafezinho ao redor do seu corpo enquanto assistimos Avenida Brasil na TV, deve ser uma sensação.
Posso colocar o projeto em um edital da Petrobras.
Vocês fazem de 12 vezes no American Express?
Atenciosamente,
M.