rio de janeiro, 28 de junho de 2012
Monike,
Hoje pensei muito em Angkor Wat. O templo foi construído, li em algum lugar, por um rei que atacou outro rei quando este passeava em seu elefante. Um assassino usurpador, como naqueles dramalhões medievais. Mas eu mataria um rei, digo, vale a pena, não?, matar um rei para fazer algo assim.
Toquei no assunto para fazer uma pergunta: você ainda anima aquela viagem ao sudeste asiático? Podemos juntar uma trupe, enfrentar o calor e a malária em Hanói e Dharamsala. Olha, Monike, fica tranquila: vou vigiar para você não ficar bêbada em Bangkok e trocar de sexo por acidente. Esse seu fraco para o álcool não é mole. Mas é bom, porque a bebida ameniza a diferença entre pessoas - quem é de outro século parece contemporâneo e vice-versa.
De todo modo, vai ser selvagem, úmido e místico, todo mundo vai curtir.
Acho ótimo que você curta o turismo heterodoxo. Como eu e alguns de nós. Não é narcisismo - “Te acho legal, porque você é igualzinha a mim.” Em outro país, suspeito que minha mania obsessiva de olhar onde você pisa vai se acentuar. Não sei bem por que, mas não confio na sua capacidade de escolher o próprio caminho. Por isso os momentos infinitos de Monike, olha a pedra, o poste, aquele buraco, porra, aquele buraco enorme. Isso quando não te puxo pelo cotovelo porque previ uma tragédia pedestre no meio da calçada. É.
Você precisa prestar mais atenção.
Para a viagem, você tem que dar um jeito pelo menos nesse seu jeito notívago, senão ninguém aguenta, imagina, atravessar madrugadas, dormir até tarde ou simplesmente não dormir. Mas seu jeito de olhar é bem vindo. Vamos rir como você usar palavras como “face” para falar do rosto das pessoas. E você vai querer subir no elefante, estou certo.
Beijo,
Maurício